sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O conflito entre os opostos (Krishnamurti)



Eu desejo saber se existe tal coisa chamada mal? Por favor preste atenção, venha comigo, vamos indagar juntos. Nós dizemos que há o bem e o mal. Há inveja e amor, e nós dizemos que inveja é má e amor é bom. Por que nós dividimos a vida, chamando isto bom e aquilo ruim, criando o conflito dos opostos? Não que não haja inveja, ódio, brutalidade nas mentes e corações humanos, uma ausência de compaixão, amor, mas por que nós dividimos a vida entre uma coisa chamada de bem e outra coisa chamada mal? O que há realmente não é uma mente que está desatenta? Seguramente, quando há atenção completa, isso é, quando a mente está totalmente atenta, alerta, observando, então não há nenhuma coisa como o mal ou o bom; há só um estado desperto. Bondade não é então uma qualidade, não é uma virtude, é um estado de amor. Quando há amor, não há bom nem ruim, há só amor. Quando você realmente ama alguém, você não está pensando se é bom ou ruim. Seu ser inteiro está repleto daquele amor. Só quando cessa a atenção completa e o amor, tem lugar o conflito entre o que eu sou e o que eu deveria ser. Então aquilo que eu sou é mau, e o que eu deveria ser é o denominado bem... .Olhe sua própria mente e você verá que no momento em que a mente deixa de pensar em termos de se tornar algo, há uma cessação de ação que não é estagnação; é um estado de atenção total, que é bondade.

J. Krishnamurti. In The Book of Life. (Quotes)

domingo, 26 de julho de 2009



pensador.info




"Não consigo ver mais que isso: essa é a lembrança.
Além dela, nós conversamos durante muito tempo na chuva, até que ela parasse, e quando ela parou, você foi embora.
Além disso, não consigo lembrar mais nada, embora tente desesperadamente acrescentar mais um detalhe, mas sei perfeitamente quando uma lembrança começa a deixar de ser uma lembrança para se tornar uma imaginação.
Talvez se eu contasse a alguém acrescentasse ou valorizasse algum detalhe, assim como quem escreve uma história e procura ser interessante - seria bonito dizer, por exemplo, que eu sequei lentamente seus cabelos.
Ou que as ruas e as árvores ficaram novas, lavadas depois da chuva.
Mas não direi nada a ninguém.
E quando penso, não consigo pensar construidamente, acho que ninguém consegue.
Mas nada disso tem nenhuma importância, o que eu queria te dizer é que chegando na janela, há pouco, vi a chuva caindo e, atrás da chuva, difusamente, uma roda-gigante.
E que então pensei numas tardes em que você sempre vinha, e numa tarde em especial, não sei quanto tempo faz, e que depois de pensar nessa tarde e nessa chuva e nessa roda-gigante, uma frase ficou rodando nítida e quase dura no meu pensamento.
Qualquer coisa assim: depois daquela nossa conversa - depois daquela nossa conversa na chuva, você nunca mais me procurou."


Caio Fernando Abreu

sábado, 25 de julho de 2009

Por que as pessoas escrevem?



Por que as pessoas escrevem? Já me fiz tantas vezes esta pergunta que hoje posso respondê-la com a maior facilidade. Elas escrevem para criar um mundo no qual possam viver. Nunca consegui viver nos mundos que me foram oferecidos: o dos meus pais, o mundo da guerra, o da política. Tive de criar o meu, como se cria um determinado clima, um país, uma atmosfera onde eu pudesse respirar, dominar e me recriar a cada vez que a vida me destruísse. Esta é a razão de toda obra de arte.
Só o artista sabe que o mundo é uma criação subjetiva, que é preciso escolher, selecionar. A obra é a concretização, a encarnação do seu mundo interior. Ele espera impor sua visão pessoal, partilhá-la com os outros. Se não atinge esta última finalidade, o verdadeiro artista persiste assim mesmo. Os poucos momentos de comunhão com o mundo valem esse sofrimento, pois finalmente esse mundo foi criado para os outros como um legado, como um dom destinado a eles.
Também escrevemos para aprofundar o nosso conhecimento de vida. Para atrair, encantar e consolar. Escrevemos para acalentar nossos amantes. Para degustar em dobro a vida: no momento preciso e retrospectivamente, na sua lembrança. Escrevemos, como Proust, para tornar as coisas eternas e para nos convencermos de que elas o são. Para podermos transcender nossa vida e alcançarmos o que existe além dela. Escrevemos para aprender a falar com os outros, para testemunhar nossa viagem ao labirinto. Para abrir, expandir nosso mundo quando nos sentimos sufocados, oprimidos ou abandonados. Escrevemos como os pássaros cantam, como os primitivos dançam seus rituais. Se você não respira quando escreve, não grita, não canta, então não escreva porque sua literatura será inútil. Quando não escrevo, meu universo se reduz; sinto-me numa prisão. Perco minha chama, minhas cores. Escrever deve ser uma necessidade, como o mar precisa das tempestades – é a isto que eu chamo de respirar.


Anaïs Nin

terça-feira, 30 de junho de 2009

Sugestão


Sugestão


Sede assim – qualquer coisa
serena, isenta, fiel. Flor que se cumpre,
sem pergunta. Onda que se esforça,
por exercício desinteressado. Lua que envolve igualmente
os noivos abraçados
e os soldados já frios. Também como este ar da noite:
sussurrante de silêncios,
cheio de nascimentos e pétalas. Igual à pedra detida,
sustentando seu demorado destino.
E à nuvem, leve e bela,
vivendo de nunca chegar a ser. À cigarra, queimando-se em música,
ao camelo que mastiga sua longa solidão,
ao pássaro que procura o fim do mundo,
ao boi que vai com inocência para a morte. Sede assim qualquer coisa
serena, isenta, fiel. Não como o resto dos homens.
Cecília Meireles

sábado, 2 de maio de 2009

...enfim o tempo passou, o meu tempo e o dele, o nosso tempo.


Enfim o tempo passou.

15 meses, ditos por ele, contados por ele.

Eu não tenho o hábito de contar o tempo, até porque o meu tempo é muito mais interior do que exterior.

Eu vivo da intensidade dos meus sentimentos, das minhas paixões.

Pra mim não foram só 15 meses, que da maneira que ele escreveu me fez soar como um tempo longo, longo para ele.

Para mim foi muito mais, foi uma nova vida, um despertar para um paixão cheia de lágrimas, risos, trocas e muito carinho.

Talvez mais do que o desejo, a saudade, as brigas, o que tenha sido mais forte foi o imenso carinho que sempre senti por ele.

Carinho que me fazia sentir frio no verão aqui do Rio quando lá nevava e ele reclamava que estava febril e meio adoentado.

Me fazia vibrar quando ele postava as fotos de corridas de bicicleta ou de patins do filho tão querido.

Carinho de saber que estávamos sempre conectados.

De ouvir a voz dele ao telefone, o seu riso e a sua emoção.

Carinho por ele ter que acordar muito cedo nos dias em que nevava forte neste inverno que foi tão rigoroso.

Carinho por compreender a saudade que ele sente do Brasil.

Por saber que ele não virá mais aqui e que isso dói muito dentro dele.

Pelas suas noites solitárias em frente ao laptop buscando contato ao redor do mundo.

Um pouco de calor humano, de troca, de afeto.


Agora as coisa mudaram dentro de mim.

Me sinto velha, gorda, cansada.

Sem energia para ele, para lutar por ele.

Nem sei se ele me quer.

Acho que não.

Ou talvez queira do jeito dele que não é o meu.

Sem abrir mão de nada que ele conquistou.

Da família que ele preza tanto mas que o deixa faminto de afeto.


Enfim a escolha é dele.

E também é minha.

E, estranhamente, eu optei por dizer não.

Era eu quem amava, quem sofria, quem desejava.

Pelo menos quem admitia.

Fui eu que derramei muitas lágrimas, que fiz planos, que sorria que nem boba, que tinha os olhos quase sempre brilhando.

Ele, eu não sei.

Ou melhor, sei o que vi em Salvador,

O que gostei e o que não gostei.

E isso tudo levou 11 meses germinando dentro de mim.

Tomando todas as formas possíveis.

Sendo analisado de uma forma otimista, realista ou pessimista.


E há 12 dias, eu optei por um basta.

Um basta nos meus sonhos que já não me faziam mais feliz.

Um basta de ilusão.

E estou, estranhamente, calma.

Certa, agora, de que fiz o melhor para mim.


Não sinto saudade e isto também é estranho.

Parece que o que vivi com ele foi numa outra vida e não nesta.

Não aqui onde estou agora.

Não tenho explicações para isso.


Não sei se voltaremos a nos falar.

Talvez sim, talvez não.

Não sei se quero isso.

Acho que não.

Seria difícil recomeçar tão arranhada e agora tão segura.


Não acredito que ele me procure.

Ele tem um gênio difícil e não é pessoa que saiba pedir perdão.

E este é mais um motivo para eu me sentir bem sem a presença dele.

Era sempre eu que tinha que me humilhar.

E isso me fragilizou e depois me fez forte.

Forte para dizer adeus.

Desta vez sem dizer.

Deixando ele entender que eu estava indo embora.

Que eu não estava mais na dele.

Que havia recuperado totalmente a minha auto estima.

Que estava outra vez forte.

Que não precisava mais dele.


Agora ele procura as antigas amigas

das quais nunca se separou efetivamente.

E eu fico feliz por isso.

Quero que ele fique bem.

Tenho muito carinho por ele.

Pelo que ele me fez sentir quando eu achava que não era mais capaz de amar ninguém tão ferida estava por outros desencontros.

Mas nós tivemos nossos momentos e isso eu não quero esquecer.

Por isso escrevo,

tenho medo que a memória me falhe

e que eu esqueça os meses mágicos que vivi.

Meses de uma imensa ternura

que me fez olhar outra vez o mundo com esperança e alegria.

Ainda te amo apesar de não te querer mais.



Denise Soares Miranda, Rio de Janeiro, 02 de maio de 2009

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Caio Fernando Abreu - fragmento


"Melhor interromper o processo no meio:
quando se conhece o fim,
quando se sabe que doerá muito mais
- por que ir em frente?
Não há sentido:
melhor escapar deixando uma lembrança qualquer,
lenço esquecido numa gaveta,
camisa jogada na cadeira,
uma fotografia
– qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir,
mesmo sem saber por quê.
Melhor do que não sobrar nada,
e que esse nada seja áspero como um
tempo perdido."


Caio Fernando Abreu

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Decameron - fragmento


"Parecia a Salabaetto que ele estava em pleno paraíso;
mais de mil vezes fitou a bela mulher, que realmente era esplêndida;
e teve a impressão de que cem anos estavam-se passando lentamente,
antes que as servas se fossem dali,
para ele poder, por fim,
atirar-se nos braços da Senhora Iancofiore.
Depois de terem recebido de sua patroa a ordem de se irem,
as servas deixaram uma pequena tocha acesa, na sala, e afastaram-se.
A dama abraçou Salabaetto; e também ele a abraçou.
Com imenso prazer de Salabaetto,
a quem parecia que a mulher morria de ansiedade pelo seu amor,
ficou uma hora naquela situação,
desfrutando os prazeres mais delicados do mundo."


"Decameron", de Giovanni Boccaccio.
Tradução: Torrieri Guimarães

"O Amante de Lady Chatterly" - fragmento


"E, como também ele se houvesse despido na frente,
houve um perfeito colamento de epidermes ao dar-se a penetração.
Mellors penetrou-a e ficou parado dentro dela, túrgido e palpitante,
até perceber o começo do orgasmo de Constance - e não ritmou os movimento de vaivém.
Frementes, frementes, como o palpitar da leve chama,
leve e macia como pluma,
entranhas de Constance começaram a derreter-se lá dentro.
Era como o som dum sino que, de vibração em vibração, sobe do vago ao apogeu.
E Lady Chatterley não teve consciência dos gemidos e gritinhos selvagens que dava
- que deu até o fim.
Fim da parte dele, apressado demais,
sobrevindo antes que ela acabasse
- e Constance não podia acabar sozinha.
Daquela vez tudo era diferente, diferente.
Por si nada podia fazer.
Não podia retesar-se para mantê-lo dentro de si
até que o gozo sobreviesse.
Só podia uma coisa, esperar
- esperar mentalmente
e gemer ao sentir que ele se contraía,
se retraía,
já próximo a escapar à sua sucção."

("O amante de Lady Chatterley", de D. H. Lawrence. Tradução: Rodrigo Richter)



"And also he was naked in front,
there was a perfect colamento the epidermis to give up the penetration.
Mellors penetrated her and was still inside her, turgid and beating,
to understand the beginning of the orgasm of Constance - not the pace reciprocation.
Frementes, frementes as the pulse of light flame,
light and soft as a feather,
bowels of Constance began to melt inside.
It was like the sound of a bell that of vibration in vibration, rises to the height of the vagus.
And Lady Chatterley was not aware of the groans and wild little cryes that gave
- Which has until the end.
End of part of he, too rushed,
survival before she finished
- Constance and could not stop myself.
That time everything was different, different.
Could do nothing for her.
I could not screw in to keep him within herself
until the survivor enjoyment.
Only one thing could be expected
- Expect mentally
and groaning to feel that he is contracted,
is tight,
already close to escape his suction. "

D.H.Lawrence, "The lady Chatterley's lover"

"version made using Google translation"

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Canção nº 5


POEMA 5

Para que tú me oigas
mis palabras
se adelgazan a veces
como las huellas de las gaviotas en las playas.

Collar, cascabel ebrio
para tus manos suaves como las uvas.

Y las miro lejanas mis palabras.
Más que mías son tuyas.
Van trepando en mi viejo dolor como las yedras.

Ellas trepan así por las paredes húmedas.
Eres tú la culpable de este juego sangriento.

Ellas están huyendo de mi guarida oscura.
Todo lo llenas tú, todo lo llenas.

Antes que tú poblaron la soledad que ocupas,
y están acostumbradas más que tú a mi tristeza.

Ahora quiero que digan lo que quiero decirte
para que tú las oigas como quiero que me oigas.

El viento de la angustia aún las suele arrastrar.
Huracanes de sueños aún a veces las tumban.

Escuchas otras voces en mi voz dolorida.
Llanto de viejas bocas, sangre de viejas súplicas.
Ámame, compañera. No me abandones. Sígueme.
Sígueme, compañera, en esa ola de angustia.

Pero se van tiñendo con tu amor mis palabras.
Todo lo ocupas tú, todo lo ocupas.

Voy haciendo de todas un collar infinito
para tus blancas manos, suaves como las uvas.


Pablo Neruda, 1924




POEM 5

For you to hear me
my words
thin themselves out, at times,
like the trails of gulls on the shore.

A necklace of bones, a crazed rattle
for your fingers smooth as grapes.

And I look at my words from a distance.
More than mine they are yours.
Like tendrils they climb my ancient suffering.

They climb, like this, inside damp walls.
It is you the guilty one in this blood-wet round.

They are escaping from my dark covert.
You pervade everything, you, pervade everything.

They live, before you, in the solitude you enter,
and are accustomed, more than you, to my sadnesses.

Now I want them to say what I want them to tell you,
for you to hear as I want you to hear me.

The winds of misery may still bring them down.
Hurricanes of dream may still make them tumble.
You attend other voices, in my voice of pain,
Cries, of ancient mouths: blood, of ancient pleas.
Love me. Don’t leave me, friend. Follow me.
Follow me, friend, in this wave of misery.

They go on being miserly, with your love, my words.
You enter everything, you, enter everything.

I make, out of all this, an infinite necklace,
for your white fingers, smooth as grapes.


Pablo Neruda, 1924
Translation by A. S. Kline

Mujer


AMOR

Mujer, yo hubiera sido tu hijo, por beberte
la leche de los senos como de un manantial,
por mirarte y sentirte a mi lado y tenerte
en la risa de oro y la voz de cristal.
Por sentirte en mis venas como Dios en los ríos
y adorarte en los tristes huesos de polvo y cal,
porque tu ser pasara sin pena al lado mío
y saliera en la estrofa —limpio de todo mal—.

Cómo sabría amarte, mujer, cómo sabría
amarte, amarte como nadie supo jamás!
Morir y todavía
amarte más.
Y todavía
amarte más
y más.


Pablo Neruda, 1923

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Goethe, mais frases

"Em toda a parte só se aprende com quem se gosta. " "Só é possível ensinar uma criança a amar, amando-a. " "Nem todos os caminhos são para todos os caminhantes. " "Muitos não sabem quanto tempo e fadiga custa a aprender a ler. Trabalhei nisso 80 anos e não posso dizer que o tenha conseguido ." "A beleza ideal está na simplicidade calma e serena ." "De um modo geral, o homem tem de andar às apalpadelas; não sabe de onde veio nem para onde vai, conhece pouco do mundo e menos ainda de si mesmo ." "Nada mais assustador que a ignorância em ação." "Só sabemos com exatidão quando sabemos pouco; à medida que vamos adquirindo conhecimentos, instala-se a dúvida."

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Guimarães Rosa


"Quando escrevo, repito o que já vivi antes. E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente. Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo vivendo no rio São Francisco. Gostaria de ser um crocodilo porque amo os grandes rios, pois são profundos como a alma de um homem. Na superfície são muito vivazes e claros, mas nas profundezas são tranqüilos e escuros como o sofrimento dos homens."


João Guimarães Rosa

sábado, 19 de julho de 2008

Maiakovsky - o poeta operário


Livros

"Não empunharei bandeiras nem brasões,
não carregarei armas, não construirei prisões,
não aceitarei ordens, nem as darei,
levarei comigo meus livros,
meus amigos fiéis,
os únicos que mesmo em silêncio
me entendem."

Vladimir Maiakovsky

Maiakovsky - o poeta operário


Instintos

Dobro esquinas como quem respira.
Passo a passo, deixo pra trás as mazelas,
os desmandos,
a insana realidade do cotidiano.
De dia o asfalto tenta me fazer desistir,
a noite, seguem-me os postes e os muros.
Meio homem, meio cão, sigo apenas os instintos,
eles sim, sempre me conduzirão.

Vladimir Maiakovsky

Maiakovsky - o poeta operário


Renascer

Vendo caro cada um dos meus sonho
pois foi às custas de muitas lágrimas
que semeei-os em meu ser.
Cortei-me, despedacei-me,
morri por dias e noites
na solidão interminável
do pensamento.
Mesmo que um dia
alguém tome os meus sonhos
e os queime junto com as decepções,
ainda assim, restará em mim,
as cinzas do que acredito.

Vladimir Maiakovsky