terça-feira, 29 de janeiro de 2008

...dentro de mim guardo sempre teu rosto e sei que por escolha ou fatalidade, não importa, estamos tão enredados que seria impossível recuar para não ir até o fim e o fundo disso que nunca vivi antes e talvez tenha inventado apenas para me distrair nesses dias onde aparentemente nada acontece e tenha inventado quem sabe em ti um brinquedo semelhante ao meu para que não passem tão desertas as manhãs e as tardes buscando motivos para os sustos e as insônias e as inúteis esperas ardentes e loucas invenções noturnas, e lentamente falas, e lentamente calo, e lentamente aceito, e lentamente quebro, e lentamente falho, e lentamente caio cada vez mais fundo e já não consigo voltar à tona porque a mão que me estendes ao invés de me emergir me afunda mais e mais enquanto dizes e contas e repetes essas histórias longas, essas histórias tristes, essas histórias loucas como esta que acabaria aqui, agora, assim, se outra vez não viesses e me cegasses e me afogasses nesse mar aberto que nós sabemos que não acaba nem assim nem agora nem aqui...

Caio Fernando Abreu

3 comentários:

Anônimo disse...

Nem sei como cheguei até o seu blog, só sei que li e não me contive. adoro Caio Fernando Abreu, é um companheiro em noites insones. simplesmente fabuloso.

De disse...

Seja meu amigo no orkut e no Multiply, os dois links estão no meu perfil do orkut - Denise...que seja doce...o que mais tem lá é Caio e seus admiradores. Te espero.
Beijos
Denise Soares Miranda

De disse...

E não é para se conter mesmo ... tudo que eu quero é que o meu blog seja lido e comentado...continue...adorei
beijos