Category: Books
Genre: Religion & Spirituality
Author: OSHO
O homem pode ser considerado de três maneiras: em termos do normal, do anormal e do supernormal. A psicologia ocidental está basicamente relacionada com o anormal, o patológico, com o homem que caiu do normal, que caiu da norma. A psicologia oriental, o tantra e o ioga, consideram o homem do ponto de vista do supernormal - daquele que foi além da norma. Ambos são anormais. Aquele que é patológico é anormal por que não é saudável e aquele que é supernormal é anormal porque é mais saudável do que qualquer ser humano normal. A diferença é entre negativo e positivo.
A psicologia ocidental se desenvolveu como parte da psicoterapia. Freud, Jung, Adler e outros psicólogos estavam tratando do homem anormal, do homem que está mentalmente doente. Devido a isso toda a atitude ocidental para com o homem se tornou errada. Freud estava estudando casos patológicos. Naturalmente, nenhum homem saudável chegaria até ele - somente quem estivesse mentalmente doente. Essas pessoas eram estudadas por ele e, por causa desse estudo, ele pensou que agora entendia o homem. Os homens patológicos não são verdadeiramente homens; eles estão doentes e qualquer coisa baseada em um estudo deles está fadada a ser profundamente errada e danosa. Isso demonstrou ser danoso porque o homem é olhado de um ponto de vista patológico. Se um estado mental particular é escolhido e esse estado é doente, patológico, então toda a imagem do homem se torna baseada na doença. Por causa dessa atitude, toda a sociedade ocidental caiu de nível - porque o homem doente torna-se a base – o pervertido se tornou a fundação.
E se você estuda apenas o anormal, você não pode conceber nenhuma possibilidade de seres supernormais. Um buda é impossível para Freud, inconcebível. Ele deve ser fictício, mitológico. Um buda não pode ser uma realidade. Freud entrou em contato somente com homens doentes que não eram nem mesmo normais e tudo o que ele diz sobre o homem normal está baseado no estudo do homem anormal. É como um médico que está fazendo um estudo. Nenhum homem saudável vai até ele, não há necessidade. Somente pessoas não saudáveis chegarão. Estudando tantas pessoas não saudáveis, ele cria uma imagem do homem em sua mente, mas essa imagem não pode ser do homem. Ela não pode ser, porque o homem não é apenas doente. E se você embasa sua concepção do homem na doença, toda a sociedade irá sofrer.
A psicologia oriental, particularmente o tantra e o ioga, também têm um conceito de homem, mas esse conceito está baseado no estudo do supernormal - Buda, Patanjali, Shankara, Nagarjuna, Kabir, Nanak -, em pessoas que atingiram o pico da potencialidade e possibilidade humana. O mais baixo não foi considerado, apenas o mais alto. Se você considera o mais alto sua mente se torna uma abertura; você pode crescer porque agora faculdades mais elevadas são possíveis. Se você considera o mais baixo, nenhum crescimento é possível. Não existe desafio. Se você é normal você se sente feliz. É suficiente que você não seja pervertido, que você não esteja em um asilo mental. Você pode se sentir bem, mas não há nenhum desafio.
Mas se você busca o supernormal, a mais alta possibilidade que você pode se tornar, se alguém realizou essa possibilidade, se essa possibilidade se tornou verdadeira para alguém, então uma possibilidade para crescer se abre. Você pode crescer. Um desafio chega até você e você não precisa ficar satisfeito consigo mesmo: faculdades mais elevadas são possíveis e elas o estão chamando. Isso precisa ser entendido profundamente. Somente então a psicologia do tantra será concebível. O que você é não é o final. Você está apenas no meio. Você pode cair, você pode se elevar. Seu crescimento não acabou. Você não é o produto final; você é apenas uma passagem. Alguma coisa está constantemente crescendo em você.
O tantra concebe e baseia todas as suas técnicas nesta possibilidade de crescimento. E lembre-se, a menos que você se torne aquilo que você pode se tornar, você não ficará realmente satisfeito. Você deve se tornar aquilo que você pode se tornar - isso é um dever! Do contrário, você ficará frustrado, você se sentirá sem sentido, sentirá que não existe nenhum propósito na vida. Você pode continuar, mas não existirá alegria nisso. E você pode ter sucesso em muitas outras coisas, mas irá fracassar consigo mesmo. E isso está acontecendo. Alguém se torna muito rico e todo mundo pensa que agora ele teve sucesso. Todo mundo, exceto ele mesmo, pensa que ele teve sucesso. Ele conhece o seu fracasso. A riqueza está presente, mas ele está fracassado. Um grande homem, um líder, um político - todo mundo pensa que eles são bem-sucedidos, mas eles fracassaram. Este mundo é estranho: você tem sucesso aos olhos de todo mundo, exceto aos seus próprios.
As pessoas chegam a mim diariamente. Elas dizem que têm tudo, mas e agora? Elas estão fracassadas. Mas onde elas fracassaram? No que concerne às coisas exteriores elas não fracassaram; assim, por que sentem esse fracasso? Sua potencialidade interior permaneceu potencial. Elas não floriram. Elas não atingiram o que Maslow chama "auto-realização". Elas são fracassos - fracassos interiores. E, basicamente, o que os outros dizem é sem sentido. O que você sente é significativo. Se você sente que é um fracasso, os outros podem pensar que você é um Napoleão ou um Alexandre, o Grande, mas isso não faz diferença. Ao contrário, isso o deprime mais. Todo mundo pensa que você é um sucesso e agora você não pode dizer que você não é - mas você sabe que você não é. Você não pode enganar a si mesmo. No que se refere à auto-realização, você não pode se enganar. Mais cedo ou mais tarde você terá que visitar a si mesmo e olhar profundamente dentro de si, no que tem acontecido. A vida é desperdiçada. Você largou uma oportunidade e juntou coisas que não significam nada.
A auto-realização se refere ao mais alto pico de seu crescimento, onde você pode sentir um profundo contentamento, onde você pode dizer: "Este é meu destino, era por isso que eu estava esperando, é por isso que eu estou aqui na terra".
Osho, The Book of the secrets, V2, #47
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
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