
Enfim o tempo passou.
15 meses, ditos por ele, contados por ele.
Eu não tenho o hábito de contar o tempo, até porque o meu tempo é muito mais interior do que exterior.
Eu vivo da intensidade dos meus sentimentos, das minhas paixões.
Pra mim não foram só 15 meses, que da maneira que ele escreveu me fez soar como um tempo longo, longo para ele.
Para mim foi muito mais, foi uma nova vida, um despertar para um paixão cheia de lágrimas, risos, trocas e muito carinho.
Talvez mais do que o desejo, a saudade, as brigas, o que tenha sido mais forte foi o imenso carinho que sempre senti por ele.
Carinho que me fazia sentir frio no verão aqui do Rio quando lá nevava e ele reclamava que estava febril e meio adoentado.
Me fazia vibrar quando ele postava as fotos de corridas de bicicleta ou de patins do filho tão querido.
Carinho de saber que estávamos sempre conectados.
De ouvir a voz dele ao telefone, o seu riso e a sua emoção.
Carinho por ele ter que acordar muito cedo nos dias em que nevava forte neste inverno que foi tão rigoroso.
Carinho por compreender a saudade que ele sente do Brasil.
Por saber que ele não virá mais aqui e que isso dói muito dentro dele.
Pelas suas noites solitárias em frente ao laptop buscando contato ao redor do mundo.
Um pouco de calor humano, de troca, de afeto.
Agora as coisa mudaram dentro de mim.
Me sinto velha, gorda, cansada.
Sem energia para ele, para lutar por ele.
Nem sei se ele me quer.
Acho que não.
Ou talvez queira do jeito dele que não é o meu.
Sem abrir mão de nada que ele conquistou.
Da família que ele preza tanto mas que o deixa faminto de afeto.
Enfim a escolha é dele.
E também é minha.
E, estranhamente, eu optei por dizer não.
Era eu quem amava, quem sofria, quem desejava.
Pelo menos quem admitia.
Fui eu que derramei muitas lágrimas, que fiz planos, que sorria que nem boba, que tinha os olhos quase sempre brilhando.
Ele, eu não sei.
Ou melhor, sei o que vi em Salvador,
O que gostei e o que não gostei.
E isso tudo levou 11 meses germinando dentro de mim.
Tomando todas as formas possíveis.
Sendo analisado de uma forma otimista, realista ou pessimista.
E há 12 dias, eu optei por um basta.
Um basta nos meus sonhos que já não me faziam mais feliz.
Um basta de ilusão.
E estou, estranhamente, calma.
Certa, agora, de que fiz o melhor para mim.
Não sinto saudade e isto também é estranho.
Parece que o que vivi com ele foi numa outra vida e não nesta.
Não aqui onde estou agora.
Não tenho explicações para isso.
Não sei se voltaremos a nos falar.
Talvez sim, talvez não.
Não sei se quero isso.
Acho que não.
Seria difícil recomeçar tão arranhada e agora tão segura.
Não acredito que ele me procure.
Ele tem um gênio difícil e não é pessoa que saiba pedir perdão.
E este é mais um motivo para eu me sentir bem sem a presença dele.
Era sempre eu que tinha que me humilhar.
E isso me fragilizou e depois me fez forte.
Forte para dizer adeus.
Desta vez sem dizer.
Deixando ele entender que eu estava indo embora.
Que eu não estava mais na dele.
Que havia recuperado totalmente a minha auto estima.
Que estava outra vez forte.
Que não precisava mais dele.
Agora ele procura as antigas amigas
das quais nunca se separou efetivamente.
E eu fico feliz por isso.
Quero que ele fique bem.
Tenho muito carinho por ele.
Pelo que ele me fez sentir quando eu achava que não era mais capaz de amar ninguém tão ferida estava por outros desencontros.
Mas nós tivemos nossos momentos e isso eu não quero esquecer.
Por isso escrevo,
tenho medo que a memória me falhe
e que eu esqueça os meses mágicos que vivi.
Meses de uma imensa ternura
que me fez olhar outra vez o mundo com esperança e alegria.
Ainda te amo apesar de não te querer mais.
Denise Soares Miranda, Rio de Janeiro, 02 de maio de 2009
